A revelação consta do “KPMG 2023 CEO Outlook Survey Southern Africa”, um relatório compilado pela KPMG em colaboração com a Business Leadership South Africa, que avalia como os CEOs estão a planear enfrentar o complexo conjunto de desafios emergentes na região ao mesmo tempo que expõe a visão destes líderes sobre a inteligência artificial (IA) generativa.
O relatório, que já vai na sua 3ª edição, revela que apesar dos desafios económicos vivenciados na África Austral, incluindo a inflação, 71% dos CEO da região estão a fazer da IA generativa uma prioridade de investimento para as suas organizações.
De acordo com o estudo regional, a conclusão segue a tendência apresentada no relatório global da KPMG, o “2023 KPMG Global CEO Outlook”, no qual 70% dos CEOs de várias empresas espalhadas pelo mundo expressaram a sua intenção de investir em tecnologias emergentes como a IA generativa.
Observando que a IA generativa é um investimento importante e crescente para empresas em todo o mundo, 28% dos CEOs da África Austral acreditam que um dos principais benefícios da implementação desta tecnologia é a oportunidade de crescimento de mercado que ela oferece. Alinhados à mesma tendência, 22% dos CEOs vêem esta tecnologia como uma ferramenta para aumentar a eficiência e produtividade na suas organizações por meio de processos automatizados e operações.
Os inquiridos expressaram, contudo, alguns desafios notáveis relacionados a implementação desta tecnologia, apesar da sua vontade em adoptá-la. Para 33% dos CEOs, o principal desafio consiste em garantir a capacidade técnica e habilidades necessárias para que os seus funcionários consigam trabalhar a alto nível sem o auxílio da IA generativa. Enquanto isso, 55% dos CEOs inquiridos estão preocupados com o facto da implementação desta tecnologia poder tornar repetitivas algumas tarefas nas suas organizações.
Regulamentação e cibersegurança em IA generativa
Embora seja apontada como uma prioridade chave de investimento, as questões éticas que envolvem esta tecnologia emergente continuam a gerar discussões contínuas nas empresas. A este respeito, 80% dos CEOs da África Austral concordam que a falta de regulamentação da IA generativa pode se tornar uma barreira para o sucesso das suas organizações.
Além disso, os riscos cibernéticos associados a IA generativa constituem uma preocupação adicional, que, segundo o estudo, pode afectar a confiança na implementação e consequente adopção desta tecnologia pelas empresas.
O estudo regional revela que 84% dos CEOs concordam que a IA generativa pode ser vista como uma faca de dois gumes, proporcionando, por um lado, um alto nível de segurança e detecção de ataques cibernéticos, e, por outro, aumentando potencialmente o risco de novos métodos de ataque. Aliado a isto, 16% dos CEOs da África Austral não acreditam que as suas empresas estejam bem preparadas para enfrentar um ataque cibernético, neste quesito o baixo investimento em cibersegurança é apresentado como a razão desta falta de preparação.
O estudo conclui assim que com a crescente adopção de estruturas de IA, há uma responsabilidade das organizações considerarem cuidadosamente as implicações éticas e os riscos potenciais inerentes a este investimento. Desta forma, o envolvimento das empresas com esta tecnologia precisa ter um carácter estratégico e uma abordagem associada a uma visão holística do que a tecnologia pode oferecer à organização, considerando também quais são os potenciais riscos e como eles podem ser melhor mitigados.
A 3ª edição do “KPMG 2023 CEO Outlook Survey Southern Africa” envolveu 60 CEOs de vários sectores empresariais entre Agosto e Setembro de 2023. A maioria dos entrevistados actua na África do Sul, mas os resultados incluem insights de CEOs de seis outros países da África Austral, nomeadamente: Botsuana, Ilhas Maurícias, Moçambique, Namíbia, Zâmbia e Zimbábue.




