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Saúde: especialistas propõem adopção e integração de soluções tecnológicas sustentáveis

Saúde: especialistas propõem adopção e integração de soluções tecnológicas sustentáveis
A transformação na saúde foi o tema central da segunda edição do Fórum de Tecnologia e Inovação em Saúde, realizada na última semana em Luanda pela Saúde Club. O evento reuniu especialistas nacionais e internacionais, empresas e associações tecnológicas para analisar o avanço da tecnologia no sector, os desafios de implementação e o impacto directo nos serviços de saúde.
 
O encontro acontece num momento em que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 80% dos países africanos já dispõem de estratégias nacionais de saúde digital, incluindo Angola. Durante o evento, os prelectores concordaram que a digitalização do sector da saúde já é uma realidade, embora persistam desafios relacionados com a aplicação prática, o investimento em capital humano e a sustentabilidade dos projectos.
 
De acordo com o CEO da ETIC, Felipe Retke, vários hospitais em Angola já foram muito bem informatizados, mas essa capacidade reduziu-se com o tempo, evidenciando lacunas na avaliação da sustentabilidade dos projectos. A alternativa, propôs, passa por adoptar soluções técnica e economicamente sustentáveis. Uma das formas mais expressivas de concretizar isso, sublinhou, é depender o mínimo possível de empresas estrangeiras.
 
“Depender de empresas externas coloca-nos numa posição altamente vulnerável, porque tudo tem de ser importado. Isso não significa que não vamos utilizar componentes externos, a tecnologia é global. Mas, é preciso desenvolver soluções de dentro para fora, e não de fora para dentro”, afirmou.
 
Quanto à aplicação de soluções tecnológicas no dia-a-dia, a directora clínica Helena Guilherme salientou que tecnologias como telemedicina e sistemas de apoio à decisão clínica já auxiliam profissionais em várias unidades privadas, mas a sua implementação nos hospitais públicos continua a enfrentar dificuldades.
 
Helena Guilherme defende a integração entre decisores, reguladores e aplicadores das soluções tecnológicas, de modo a assegurar uma regulação clara e responsável, adaptada ao contexto local. Segundo a directora clínica, isso exige investimento em capital humano, uma vez que “quando a tecnologia falha, o problema está geralmente na implementação e na formação das equipas, e não apenas nos sistemas”.
 
Já o representante da MEDENG, Saidy Emanuel, destacou o progresso registado nos últimos anos, com a construção de hospitais dotados de capacidades tecnológicas avançadas. Segundo explicou, a integração contínua destes sistemas nos hospitais públicos permitirá substituir os prontuários físicos por registos electrónicos, aumentando a eficiência e a integração dos serviços.
 
“Quase todos os novos hospitais já dispõem de software de gestão técnica. A tendência é que até 2034 os projectos mais recentes passem a operar praticamente sem documentos analógicos”, afirmou.
 
Para os especialistas, a transformação digital na saúde depende de um ecossistema integrado, que articule tecnologia, profissionais, regulamentação e recursos financeiros, assegurando a sustentabilidade dos projectos. Defendem ainda que, para que os investimentos tecnológicos produzam resultados concretos, é essencial considerar o utilizador final, garantir a qualidade dos dados e promover a capacitação contínua das equipas.

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