Durante o Angola Digital Forum (ADF) 2026, o director de Inovação da Angola Cables, Júlio Chilela, afirmou que a empresa beneficia da posição geográfica do país para se distinguir no panorama das telecomunicações. Segundo o responsável, com os cabos submarinos SACS, MONET e WACS, Angola Cables é actualmente a empresa mais interconectada de África e está integrada no top 25 mundial de operadores de rede.
Esta posição de destaque, no entanto, não é vista pela empresa como um fim em si mesma, mas antes como uma base para o desenvolvimento de um ecossistema mais integrado a nível nacional.
No mesmo fórum, Júlio Chilela e o director de IP e Transmissão da UNITEL, N’silu Ferreira, convergiram na ideia de que a UNITEL (acesso e última milha) e a Angola Cables (interligação global) operam como peças complementares de uma mesma stack tecnológica. Ambos defenderam que as duas empresas funcionam em sinergia para assegurar o ecossistema digital angolano.
De acordo com Júlio Chilela, “70 a 80 por cento do tráfego do continente passa por um dos nossos pontos”. O director de Inovação reconheceu que a maioria dos modelos de Inteligência Artificial (IA) continua alojada fora de África, mas sublinhou que a baixa latência oferecida por Angola entre o Atlântico Sul, as Américas e a Europa representa uma vantagem concreta que outros países africanos não possuem.
O responsável da Angola Cables não forneceu, contudo, detalhes sobre os planos da empresa para atrair centros de dados ou para alojar infra-estruturas de IA no país, mantendo a declaração centrada na mais-valia actual da conectividade existente.
A posição de Angola como ponto de passagem de tráfego continental, reiterada por Júlio Chilela, não implica, segundo o próprio, uma garantia automática de retorno económico para o país, dependendo a concretização dessa mais-valia de investimentos adicionais e de políticas públicas que incentivem o alojamento local de conteúdos e serviços digitais.




