O fundador da Microsoft, Bill Gates, alertou para o risco da inteligência artificial (IA) aprofundar as desigualdades entre países ricos e pobres e anunciou um investimento de mil milhões de dólares para os próximos dois anos, destinado à expansão do acesso à IA nas áreas da saúde, educação e agricultura.
O investimento, segundo a Reuters, será feito pela Fundação Gates e integra os planos da organização de aplicar cerca de 9 mil milhões de dólares por ano, para apoiar parceiros que desenvolvem soluções com IA, assim como a criação de bases de dados necessárias ao funcionamento destes sistemas.
Uma das prioridades será fazer com que os grandes modelos de linguagem funcionem em diferentes idiomas, o que facilitará o acesso às ferramentas de IA por populações que actualmente enfrentam limitações devido à falta de sistemas adaptados às suas línguas.
Para Gates, a tecnologia pode ajudar a reduzir desigualdades se os seus benefícios forem distribuídos de forma mais ampla. Na saúde, o empresário destacou o potencial da IA para apoiar profissionais de saúde e contribuir para a descoberta de novos medicamentos e vacinas.
No início deste ano, a Fundação Gates e a OpenAI já tinham anunciado uma iniciativa específica para África: o projecto Horizon1000, que prevê um investimento conjunto de 50 milhões de dólares em financiamento, tecnologia e apoio técnico para levar ferramentas de IA a 1.000 clínicas de cuidados primários e às comunidades envolventes na África Subsaariana até 2028.
Apesar das preocupações, Gates defendeu que os governos devem trabalhar em conjunto para enfrentar os problemas associados ao avanço da IA. O empresário comparou a chegada da tecnologia a uma “inteligência alienígena” e afirmou que os países precisam de cooperar para lidar com os desafios que ela apresenta.



