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O presidente da Associação Angolana de Internet (AAI), Sílvio Almada, defendeu hoje em Luanda, o reforço da segurança e da resiliência das infra-estruturas da Internet no país, argumentando que o crescimento do tráfego, dos serviços em nuvem e da inteligência artificial exige uma evolução das redes nacionais para garantir maior qualidade, estabilidade e acessibilidade.
Ao discursar na abertura do AONOG & AOPF 2026, encontro que reúne operadores, provedores de Internet e especialistas do sector, Sílvio Almada afirmou que o principal desafio do país já não consiste apenas em expandir a conectividade, mas em garantir que as redes funcionem com qualidade, resiliência, preços acessíveis e cobertura para além dos grandes centros urbanos.
“Nas últimas duas décadas, Angola construiu bases importantes: ligações submarinas internacionais, pontos de troca de tráfego em Luanda e uma comunidade técnica cada vez mais qualificada. Mas, a Internet não é um projecto concluído”, começou por dizer Sílvio Almada.
Segundo o responsável, a evolução almejada passa pela manutenção do tráfego local no território nacional, redução de dependências críticas, adopção do protocolo IPv6 (actualmente em 15,63%, segundo a Google) e o reforço da segurança do encaminhamento de tráfego.
“O crescimento do tráfego, dos serviços em nuvem e da inteligência artificial pressiona as nossas redes. O desafio de hoje já não é apenas ligar, mas ligar melhor: com qualidade, resiliência, preços acessíveis e alcance para além dos grandes centros urbanos. Isso passa por manter o tráfego local no território, evitar dependências críticas, adoptar o IPv6 e reforçar a segurança do encaminhamento”, afirmou.
Defendeu, igualmente, maior cooperação entre operadores, Governo, reguladores, instituições académicas e parceiros internacionais, sublinhando que nenhum operador consegue, de forma isolada, assegurar a qualidade da Internet a nível nacional.
O presidente da AAI alertou também para os riscos associados à crescente digitalização da economia e dos serviços públicos, tendo observando que falhas ou ataques aos sistemas de encaminhamento, DNS, pontos de troca de tráfego e ligações internacionais deixaram de representar apenas problemas técnicos para assumirem consequências à escala nacional. Nesse sentido, defendeu o reforço da prevenção, da capacidade de resposta e da partilha de informação sobre ameaças.
Formação técnica e participação internacional
Sílvio Almada destacou ainda a necessidade de investir na formação de profissionais especializados para gerir as infra-estruturas digitais, enfatizando que o desenvolvimento tecnológico deve ser acompanhado pela capacitação dos recursos humanos. Neste quadro, o responsável manifestou a intenção de reforçar a participação de Angola nos fóruns africanos e intercontinentais de governação da Internet, não apenas como utilizadora, mas também como contribuidora para a definição de políticas e soluções para o sector.
“A Internet é governada por um modelo multiparticipativo, em que a comunidade técnica, os governos, o sector privado, a academia e a sociedade civil têm voz. A AAI quer que Angola participe nos fóruns africanos e globais não apenas como utilizadora, mas como contribuidora, com experiência própria e posições informadas”, referiu.
O AONOG/AOPF é uma iniciativa promovida pela Associação Angolana de Internet que reúne anualmente engenheiros de rede, provedores de serviços de Internet, operadores, reguladores e académicos. O encontro visa fortalecer a cooperação técnica entre actores do ecossistema digital angolano e africano, promover boas práticas de interconexão e incentivar o desenvolvimento de infra-estruturas locais de troca de tráfego de Internet, contribuindo para a redução de custos, aumento da qualidade de serviço e autonomia digital de Angola.


