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A geodemógrafa e especialista em análise de informação e transformação digital, Vovi Cololo, representou Angola na Conferência Africana de Liderança e Empreendedorismo Jovem (AYLEC, na sigla inglesa), uma plataforma pan-africana criada para promover o desenvolvimento de líderes juvenis no continente.
A conferência, realizada na Zâmbia de 21 a 26 de Julho, avaliou, entre outros temas, o impacto transformador da inteligência artificial (IA) nos mercados de trabalho africanos, focando-se em questões como a eliminação de tarefas repetitivas através da automação e a criação de novas oportunidades em áreas tecnológicas.
Intervindo no painel sobre o “O Futuro do Trabalho em Áfica: Empregos, Habilidades e Disrupção da IA”, Vovi Cololo, que actua como “Responsável de Programas da Rede Africana para a Cooperação e Desenvolvimento” apresentou a experiência angolana e destacou o papel da juventude africana na transformação digital, defendendo soluções inclusivas para o impacto da IA no emprego no continente.
“Tive a oportunidade de apresentar a experiência de Angola através do projecto Hudprosaúde, uma plataforma de telemedicina e tele-ssaúde concebida com base nos desafios enfrentados por comunidades rurais e suburbanas da África Subsaariana. Defendi a importância da inovação tecnológica com propósito social, mostrando como a tecnologia pode ajudar a colmatar lacunas nos sistemas de saúde e gerar empregos no sector digital e comunitário.”, disse ao Portal de T.I.

Créditos: D.R
A jovem angolana referiu que o debate permitiu distinguir os desafios específicos do contexto africano, como o acesso limitado à Internet, a desigualdade no sistema educacional e a informalidade generalizada do mercado laboral. Para Vovi Cololo, qualquer estratégia de emprego baseada em IA deve respeitar as dinâmicas locais e culturais, promovendo a inclusão social, o empoderamento das zonas rurais e o fortalecimento do sector informal.
“O debate foi enriquecedor justamente por destacar que a realidade africana exige soluções próprias. (…) Portanto, a transição digital e a introdução da IA devem considerar a inclusão social, o fortalecimento do sector informal e o empoderamento das zonas rurais. (…) Qualquer estratégia de emprego baseada em IA deve estar alinhada às dinâmicas locais e culturais”, acrescentou.
Em Angola, Vovi Cololo pensa em partilhar a aprendizagem colhida neste encontro que juntou jovens africanos para reflectirem sobre os desafios e oportunidades do continente.
“Quero partilhar a importância de investir em soluções locais com impacto global, de fomentar ecossistemas de inovação e de envolver mais jovens na construção de políticas públicas. Acima de tudo, trago o desejo de ampliar o acesso à educação digital e ao empreendedorismo social com base no que testemunhei em outros países africanos”, expressou.

Créditos: D.R
Ao final do evento, Vovi Cololo foi eleita a melhor delegada feminina desta edição, trazendo o troféu para Angola.


