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Falta de dados estruturados limita aplicação da IA na agricultura e logística

ADF 2026: falta de dados estruturados limita aplicação da IA na agricultura e logística em Angola
No país, a aplicação da inteligência artificial (IA) na agricultura e logísitca ja é uma realidade, todavia o potencial dessa tecnologia para o sector permanece sub-aproveitado, segundo o director geral da Mwango Brain, Aniceto de Carvalho, que falava no painel subordinado ao tema “A IA na Agricultura e na Logística”, durante a 5.ª edição do Angola Digital Forum (ADF).
 
Durante a sua intervenção, Aniceto de Carvalho descreveu a IA na agricultura e na logísitca como uma “realidade” e também “potencial” no país, distinguindo a aplicação dessa tecnologia noutras regiões do globo da sua aplicação em Angola.
 
Na sua visão, a aplicação da IA no país não deve ser comparada a outras realidades, onde são usados drones, satélites e pratica-se a agricultura predictiva em grande escala. Pois, refere, mais de 70% da agricultura nacional é de carácter familiar, muitas das quais sem acesso aos incentivos, aos insumos e sem reconhecimento institucional como produtores.
 
“Claramente, a IA vem ajudar, mas nós ainda temos que resolver os problemas de base. Primeiro precisamos nos perguntar: quem é o produtor, onde está, o que produz e como produz. Se não conseguirmos responder a essas questões, não podemos falar de IA, porque a ela não funciona sem dados estruturados”, frisou.
 
A perspectiva é partilhada também pelo conselheiro estratégico em liderança digital, Rui Costa, que acrescenta a capacitação dos operadores e a aplicação da tecnologia com base no contexto nacional.
 
“Devemos agir como angolanos e desenhar uma estratégia para Angola. Não vamos agir como americanos, portugueses ou brasileiros”, expressou o conselheiro.
 
A segurança das infra-estruturas também mereceu ateção dos prelectores. Sobre o assunto, o CEO da CyerSecur, Hélio Pereira, concordou que à medida que se digitaliza a agricultura e a logísitica, está-se também a aumentar o nível de risco de cibersegurança.
 
Embora  reconheça que a capacidade não abrange todo o país, Hélio Pereira considera que o país nunca teve problemas de infra-estruturas. Segundo o responsável, a dificuldade reside na autonomia e governação, considerando a realidade angolana.
 
“Nós nunca tivemos problemas de infra-estruturas. Nós investimos em infra-estruturas, investimos em tecnologias e temos as melhores tecnologias”, disse, sublinhando que a dificuldade reside na autonomia e na construção da governação tecnológica, “porque as infra-estruturas criadas não são para a nossa realidade, este é o problema”.
 
Já o chefe do departamento de engenharia da ANTOSC, Evaristo Augosto, entende, contudo, que ao nível das infra-estruturas ainda há muito por ser feito pelo Estado e pelas empresas privadas, visto que a agricultura é praticada principalmente em zonas remotas com cobertura precária de rede, tanto para voz quanto para dados.
 
“Realmente temos infra-estruturas, mas também existem muitas zonas que ainda estão às cegas e são zonas ptencialmente agríolas. Então, se queremos desenvolver o agro-negócio no país, devemos começar por levar comunicação a esses pontos”, disse.
 
É o que defende também Aniceto de Carvalho, para quem as infra-estruturas actuais ainda estão aquém das necessidades para dinamizar agricultura.
 
Quanto ao nível de preparação, os prelectores foram unânimes em afirmar que o país ainda não está preprarado para implementar a agricultura de precisão usando tecnologias como IA, considerando os desafios básicos por resolver, que vão desde as bases de dados estruturadas, infra-estruturas, capacitação de quadros e governação, para viabilizar a capacidade, autonomia, a soberania por via da regulação e a continuidade através do investimento.
 
“A transformação digital é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Precisamos aceitar primeiro que estamos na condição de que não temos dados estruturados. Não conseguiremos fazer predição agrícola sem sabermos efectivamente qual é a informação daquela porção de terra, portanto não vamos conseguir ajudar a analisar as informação sem os dados estarem estruturados”, vincou Aniceto de Carvalho.
 
Apesar dos desafios, os especialistas consideram que o país pode evoluir para esse estágio, desde que os desafios estruturais sejam abordados com soluções adaptadas à realidade local.
 

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