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A secretária de Estado para Ciência, Tecnologia e Inovação apresentou no último sábado, em Luanda, as estratégias e os desafios para a implementação do modelo de ensino que integra as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática (STEAM) em Angola, num exercício que serviu também para identificar boas-práticas internacionais, analisar o actual currículo do ensino superior no país em relação às componentes STEAM e propor directrizes para a sua adopção.
Alice de Ceita e Almeida, que falava durante a Conferência Nacional sobre o Capital Humano, começou por referir que o modelo STEAM tem relevância para as políticas públicas, porque prepara os jovens para sectores estratégicos, estimula a criação de soluções para problemas locais, fortalecendo o empreendedorismo, e estimula novas metodologias e práticas criativas de ensino, promovendo a inclusão social.
Apesar disso, o currículo STEAM no país ainda enfrenta insuficiência na oferta formativa, uma vez que essa oferta continua a ser preenchida em 53% pelas áreas de Ciências Sociais e Humanas e 12% pelas áreas das Ciências da Educação, referiu.
A secretária de Estado disse haver, entretanto, avanços pontuais no que toca às infra-estruturas com foco nas áreas STEAM, referindo-se à construção e reabilitação de instituições de ensino com foco na Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, bem como laboratórios.
Referiu também que os novos programas de ensino para a 5.ª e 6.ª classe do ensino primário, por imperativo da alteração da Lei de Base do Sistema de Educação e Ensino, já incluem o modelo STEAM, como se verifica em ciclos similares nalgumas escolas internacionais a funcionar em Luanda, bem como nos curso de pós-graduação realizados na Universidade Agostinho Neto. Reconheceu, contudo, a ausência evidente da integração das artes nos actuais currículos.
Como alterar o actual quadro?
Considerado o quadro actual, a secretária de Estado referiu-se à cooperação internacional como um eixo importante para a análise do que se passa no país, pois é por via dela que se podem identificar projectos de desenvolvimento de competências em STEAM e também de fortalecimento de capacidades técnicas.
Neste sentido, a Alice de Ceita e Almeida apresentou como eixos de acção: reforma curricular que integre as disciplinas STEAM desde o ensino de base; a criação de novos cursos STEAM nos níveis de especialização, graduação e pós-graduação; a regulação da oferta formativa (que privilegie mais as áreas STEAM); o investimento em construção e reabilitação de instituições de ensino com foco nas áreas STEAM.
Como proposta de directrizes para a adopção deste modelo, a secretária de Estado apontou a necessidade de definição de uma política pública e estratégia associada, a necessidade de uma estrutura de governação clara, parcerias público-privadas e monitorização contínua.
A secretária de Estado elencou também as referências internacionais como parte dessas directrizes, com ênfase nos casos bem-sucedidos de interdisciplinaridade verificados na Finlândia, parcerias público-privadas vistas nos EUA, o alinhamento com a economia nacional observado na Singapura, a digitalização precoce assistida na Coreia do Sul e a inclusão social verificada na África do Sul.
Quanto à forma de implementação, defendeu um modelo faseado, argumentando ser conveniente, “porque certamente terá que ser feito com foco na situação actual”, e um dos aspectos-chave é o aumento das competências nas áreas STEAM, que deverá ser feito em simultâneo com a capacitação dos docentes em metodologias interdisciplinares e tecnológicas.
Alice de Ceita e Almeida expressou que dessa abordagem esperam-se currículos inovadores, docentes capacitados, formação de uma geração de jovens com competências do futuro e preparados para competir globalmente, sendo igualmente capazes de contribuir para a economia digital e criativa do país. Espera-se também a redução do desfasamento entre a educação e as exigências do mercado de trabalho.
Desafios
Entre os desafios da implementação do modelo STEAM apontou os recursos financeiros limitados, a resistência de um currículo ainda tradicional, a necessidade de gestores e professores que possam conduzir este processo de implementação, a desigualdade territorial no acesso às tecnologias educativas e a necessidade de políticas articuladas entre os ministérios.
Benefícios
“A adopção do modelo STEAM em Angola vai permitir consolidar um sistema educativo voltado para o futuro, com impacto directo na diversificação económica e no desenvolvimento sustentável do país, vai promover um ecossistema nacional de ciência, tecnologia, artes e inovação, capaz de posicionar Angola numa economia do conhecimento”, disse a secretária de Estado.
Este modelo também permitirá, segundo a secretária de Estado, “formar capital humano qualificado, inovador e capaz de liderar a transição para uma economia do conhecimento, reduzir o fosso tecnológico entre Angola e outras economias emergentes e transformar a juventude no maior activo do país”, concluiu.
A Conferência Nacional sobre o Capital Humano é promovida pelo Governo de Angola, no quadro das comemorações dos 50 Anos da Independência Nacional, e visa reflectir sobre os caminhos para o fortalecimento dos conhecimentos, habilidades, experiências e atitudes que os indivíduos devem possuir para produzir valor económico e alcançar os objectivos de desenvolvimento sustentável do país.




