Por: Willian Oliveira - director geral da TIS
Algo está acontecendo neste momento no Vale do Silício — algo com o potencial de abalar o mercado americano e internacional de forma destrutiva.
Vocês sabem do que estou falando? Do que pode ser o maior esquema pirâmide corporativo do século: o inflado mercado da inteligência artificial, as suas acções supervalorizadas e valuations que desafiam a lógica. Empresas de todos os sectores, muitas sem qualquer ligação real com tecnologia, passaram a se auto-declarar “baseadas em IA”, na tentativa de capturar uma fatia desse entusiasmo colectivo ou será delírio?
Essa bolha — há muito tempo preconizada por analistas e economistas — começa a ganhar contornos cada vez mais nítidos. E é importante dizer: a IA em si não é o problema. Ela é, sem dúvida, uma das tecnologias mais transformadoras do nosso tempo. O perigo surge quando a especulação supera a inovação, quando o capital se descola da realidade e cria o ambiente perfeito para uma tempestade financeira sem precedentes.
O caso mais recente ilustra bem o ponto: investimentos cruzados entre gigantes como Nvidia, OpenAI, Oracle e AMD. Um circuito fechado de capital e influência, em que uma empresa investe na outra, que compra da primeira, que lucra com a valorização da terceira. Um jogo de espelhos digno de Hollywood. Como dizia meu pai: “se tem rabo de gato, anda como gato e mia como gato… não é um coelho.”
Hoje, o S&P 500, principal índice da bolsa de Nova Iorque, tem cerca de 30% do seu valor concentrado nas chamadas “Sete Magníficas” — as big techs que lideram a narrativa da IA. Uma concentração de risco sem precedentes, que já desperta alertas em Wall Street. Afinal, quando poucos sustentam o peso de muitos, a base da pirâmide começa a tremer.
Que os deuses da tecnologia estejam de bom humor — e que nos livrem dessa enrascada. Porque, do jeito que as coisas caminham, é difícil acreditar que isso possa terminar bem.
God save not only America — but all of us.



