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A transformação digital em Angola deixou de ser uma perspectiva futura para se tornar uma realidade com impacto crescente na saúde, educação, agricultura, administração pública e inclusão financeira, expressou o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social na abertura da edição 2026 do Fórum Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação de Angola (ANGOTIC).
No seu discurso, Mário Oliveira destacou os progressos alcançados no processo de transformação digital, sublinhando que tecnologias como inteligência artificial, robótica, drones e sistemas espaciais já começam a produzir resultados concretos em sectores estratégicos da economia.
Na saúde, apontou avanços na utilização de cirurgia robótica e telemedicina, enquanto na agricultura a combinação entre inteligência artificial, imagens de satélite e tecnologias espaciais tem contribuído para melhorar a produtividade e a monitorização das culturas.
O ministro destacou também o papel da digitalização no ensino, através dos projectos Angola Digital e Angola Online, bem como das infra-estruturas tecnológicas que suportam o ensino à distância e o acesso a plataformas de aprendizagem e investigação científica. Segundo os dados apresentados, o programa Angola Digital já beneficiou 6.500 crianças e jovens em 80 escolas e centros equipados com computadores e acesso à Internet. Já o Angola Online alcançou mais de 43 mil utilizadores em 180 pontos distribuídos pelo país.
“A transformação digital em curso em Angola, não é um privilégio das empresas, das instituições, nem tampouco de uma minoria privilegiada, mas é, essencialmente, parte do modelo de constituição, organização e funcionamento adoptado pelo Executivo Angolano, capaz de atender e oferecer soluções sustentáveis às populações”, disse.
O governante referiu-se também à expansão das infra-estruturas de telecomunicações, anunciando a entrada em funcionamento de um novo ponto de acesso à telefonia móvel na localidade do Lago de Lolo, na província do Moxico Leste, e reiterou o avanço de projectos estruturantes como o Conecta Angola e a Rede Nacional de Banda Larga em Fibra Óptica, destinados a reforçar a cobertura e a qualidade dos serviços de comunicações em todo o território nacional.
O Programa Espacial Nacional também foi apontado como um dos pilares da estratégia tecnológica do país, tendo referido que além do satélite de comunicações ANGOSAT-2, foi destacada a construção do satélite de observação da Terra ANGEO-1, que deverá apoiar áreas como gestão territorial, monitorização ambiental, planeamento urbano e vigilância fronteiriça.
Na componente de infra-estrutura digital, Mário Oliveira salientou o papel do novo data center e da cloud governamental, recentemente inaugurados e sob a gestão do INFOSI, considerados essenciais para reforçar a soberania digital, a segurança dos dados e a modernização da administração pública.
Relactivamente ao progresso verificado no número de utilizadores de serviços digitais desde o ano 2025, o miistro revelou que o país conta actualmente com mais de 28 milhões de assinantes de telefonia móvel, o equivalente a uma taxa de penetração superior a 71%. Na mesma linha, prosseguiu, o acesso à Internet agora ultrapassa os 18 milhões de utilizadores, com uma taxa de teledensidade de aproximadamente 42%, enquanto o mercado de televisão por subscrição regista mais de 2 milhões de subscrições activas.
Mário Oliveira destacou também o esforço dedicado à capacitação de recursos humanos, com mais de 7 mil técnicos formados nas áreas de telecomunicações, tecnologias de informação, redes, centros de dados, infra-estruturas e cibersegurança, além de cerca de 4 mil pessoas capacitadas pelo Centro de Formação de Jornalistas.
Ao encerrar a intervenção, Mário Oliveira defendeu que a transformação digital deve continuar a ser encarada como um instrumento de desenvolvimento económico e inclusão social, reforçando a cooperação tecnológica entre Angola, os países da região da SADC e o continente africano.
Nesta edição, o ANGOTIC reúne mais de 300 startups num aumento de 66% em relação ao número de projectos verificados em 2025, quando o evento registou um total de 180 startups. A organização prevê também a participação de cerca de 200 empresas, entre expositoras e não expositoras.
Sob o lema “Na Rota da Transformação Digital”, a edição 2026 do ANGOTIC pretende reforçar a agenda nacional dedicada à inovação tecnológica, ao empreendedorismo digital e à formação de quadros.



