Angola apresentou, esta quarta-feira (15), a sua estratégia de transformação digital da saúde na Conferência Global da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre Inteligência Artificial na Saúde, em Lisboa, destacando os investimentos em inteligência artificial, telemedicina e sistemas digitais para melhorar os serviços de saúde e ampliar o acesso aos cuidados médicos.
Ao intervir no painel dedicado às oportunidades e desafios da Inteligência Artificial na saúde, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, afirmou que o país está a consolidar uma estratégia nacional baseada na inovação tecnológica, na saúde digital e na expansão da telemedicina, com o objectivo de tornar o Sistema Nacional de Saúde mais eficiente, seguro, inclusivo e acessível.
A governante explicou que o país tem investido na melhoria da conectividade, na modernização das infra-estruturas tecnológicas e no desenvolvimento de soluções digitais inteligentes, de modo a colocar a tecnologia ao serviço dos profissionais de saúde e da população.
Entre os principais avanços, Sílvia Lutucuta destacou a implementação do DHIS2 como principal plataforma nacional de gestão de dados em saúde. Segundo a ministra, o sistema integra diferentes plataformas de informação, facilita a produção de painéis analíticos e reforça a monitorização e a tomada de decisões baseadas em evidências.
No domínio da prestação de cuidados, a ministra referiu a expansão da Rede Nacional de Telemedicina, actualmente ligada a uma rede internacional de colaboração que reúne instituições de Portugal, Itália, Brasil, Índia, Estados Unidos da América e África do Sul, uma cooperação que tem aumentado o acesso a consultas especializadas, reduzido as desigualdades na prestação de cuidados e aproximado serviços diferenciados das comunidades que vivem nas zonas mais remotas do País.
A formação dos profissionais de saúde também integra as prioridades da estratégia nacional. Neste âmbito, o Ministério da Saúde recorre a plataformas digitais de aprendizagem e à telesaúde para reforçar a capacitação contínua dos quadros, no quadro do programa que prevê a especialização de cerca de 38 mil profissionais de saúde nos próximos cinco anos, com o apoio de parceiros internacionais, sobretudo Portugal e Brasil.
Durante a intervenção, a ministra apresentou ainda o Centro de Operações de Emergência de Saúde Pública (COESP), uma plataforma tecnológica que acompanha, em tempo real, a evolução da situação epidemiológica em todo o território nacional. O sistema reforça a vigilância, a prevenção e a capacidade de resposta às emergências de saúde pública.
Sílvia Lutucuta reafirmou que Angola continuará a investir na inteligência artificial para apoiar a decisão clínica, fortalecer a vigilância epidemiológica, optimizar o planeamento dos serviços de saúde e expandir o acesso a cuidados de qualidade, especialmente nas regiões de difícil acesso, através da telemedicina e de outras soluções digitais.



