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Angola integra o grupo de países da África Subsaarinana com maior capacidade instalada de data centers, dispondo actualmente de 10 infra-estruturas deste tipo, segundo um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o potencial da inteligência artificial (IA) na região.
No seu estudo, intitulado “Desbloqueando o Potencial: A Inteligência Artificial na África Subsaariana”, o FMI posiciona Angola no top 5, liderado pela África do Sul com 62 data centers, seguido pela Nigéria (25), Quénia (19) e Ilhas Maurícias (10).
O país surge também listado entre os mercados abrangidos por um investimento de 100 milhões de dólares da International Finance Corporation (IFC), destinado a apoiar a expansão da rede de centros de dados da Raxio em vários países africanos, numa iniciativa que busca aumentar a capacidade computacional disponível para empresas, governos e serviços digitais no continente.
Apesar do crescimento em números de centro de dados na África Subsaariana, o FMI observa que a infra-estrutura de IA na região continua limitada e fortemente dependente de investimento internacional.
Por outro lado, quando comparada com a procura global por infra-estruturas de IA, a capacidade da região permanece modesta em termos de processamento, uma vez que o continente alberga apenas cerca de 160 centros de dados, o equivalente a 5,5% das instalações mundiais.
Quando olhamos para os números, fica claro que a infra-estrutura de processamento está geograficamente concentrada na região, com quase metade dos centros de dados de toda a África Subsaariana localizada em apenas três dos 48 países que compõem a região: África do Sul, Nigéria e Quénia. Esta é outra procupação apontada pelo FMI.
Outra barreira para o desenvolvimento e a adopção da IA na África Subsaariana está associada à disponibilidade de quadros. De acordo com o estudo, menos de 25% dos estudantes do ensino superior frequentam cursos nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) na região, enquanto a taxa de matrícula no ensino superior permanece baixa em comparação com a média mundial: cerca de 9% na África Subsaariana contra cerca de 40% a nível global.
Como consequência, refere o estudo, a oferta de profissionais com competências avançadas em tecnologias digitais, engenharia e IA continua insuficiente para responder à procura futura. Nesta matéria, o Índice de Preparação para a IA do Fundo Monetário Internacional (FMI) posiciona a África Subsaariana entre as regiões com menor nível de preparação em termos de capital humano para a inteligência artificial.
A este respeito, importa lembrar que o estudo de prontidão para adopção da IA realizado em Angola pela UNESCO em parceria com o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, também chama atenção para o défice de quadros para as áreas STEM em Angola.
O documento, apresentado em Luanda em Junho último, aponta limitações na disponibilidade de profissionais das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, estimando-a em 12%, embora reconheça que o número de especialistas tem aumentado e que o país já dispõe de condições para acelerar a formação de recursos humanos qualificados.
Assim, o reforço das infra-estruturas é considerado pelo FMI como um dos factores essenciais para acelerar a adopção da IA na região, a par da melhoria do acesso à electricidade, da conectividade à Internet, do desenvolvimento de competências digitais e da criação de um ambiente favorável ao investimento tecnológico.
O Fundo considera ainda que a experiência da África Subsaariana na rápida expansão da telefonia móvel e da Internet demonstra que a adopção de novas tecnologias pode evoluir de forma acelerada quando existem políticas públicas adequadas e investimento privado, cenário que poderá repetir-se com a IA nos próximos anos.
Entre os sectores com maior potencial de transformação, o FMI destaca a agricultura, responsável por cerca de metade do emprego na região, indicando que soluções de IA poderão apoiar a gestão das culturas, a previsão de fenómenos climáticos, o controlo de pragas e o acesso à informação sobre mercados, contribuindo para o aumento da produtividade agrícola.
O relatório alerta, entretanto, que os países que não reforçarem as suas infra-estruturas digitais e a formação de quadros nas áreas STEM poderão tornar-se dependentes de serviços de IA desenvolvidos fora do continente, enquanto as actividades de maior valor acrescentado tenderão a concentrar-se num número reduzido de polos tecnológicos africanos.



