Ao chegar o final de cada ano, surge o momento ideal para reflexões e avaliações. Durante muito tempo, quase não dispúnhamos de um canal oficial ou de uma métrica clara para avaliar, de forma objectiva e comparativa, o grau de maturidade do ecossistema da transformação digital em Angola.
Esta ausência dificulta uma visão precisa do nosso posicionamento no cenário global. Contudo, por esta altura, ao observarmos o que alguns dos principais relatórios mundiais apresentam, e os diversos dados publicados pelo Portal de T.I, um dado destacável emerge: Angola tem registado, nos últimos anos, uma maturidade satisfatória e crescente nos sectores da conectividade e da transformação digital.
A publicação do Índice de Maturidade GovTech (GTMI) 2025 consolida esta percepção, revelando um panorama global marcado por progressos desiguais, mas onde um conjunto de economias africanas, incluindo Angola, se destaca pela sua trajectória positiva.
Contudo, no meio deste cenário, destaca-se a trajectória positiva de um conjunto de economias africanas que conseguiram ascender ou consolidar-se no grupo de Maturidade Significativa. Entre estes pioneiros, que incluem nações como África do Sul, Gana, Quénia e Ruanda, surge Angola, cujo posicionamento neste patamar merece uma análise particular.
Analisando o caso específico de Angola, a sua posição no grupo de Maturidade Significativa sugere uma evolução notável na construção dos pilares fundamentais para um GovTech robusto. Este posicionamento não é fruto do acaso, mas provavelmente resulta de um investimento sustentado em habilitadores estratégicos e institucionais.
É plausível que o país tenha registado avanços significativos em áreas críticas medidas pelo índice, como a existência de uma Estratégia Nacional de Transformação Digital clara, o estabelecimento de uma Autoridade de Protecção de Dados e a criação de entidades dedicadas à governação de dados e à inovação no sector público. Estes elementos constituem a espinha dorsal que permite coordenar e dar coerência a iniciativas digitais dispersas.
Neste contexto institucional, desempenha um papel crucial o Instituto de Modernização Administrativa (IMA), uma peça-chave na engrenagem da reforma do Estado angolano, ao posicionar-se como a entidade motora por detrás das acções que visam simplificar as actividades burocráticas da Administração Pública, em particular a nível local.
Um dos componentes onde estes países, incluindo Angola, provavelmente mais evoluíram é no índice de Sistemas Básicos de Governo (CGSI). A adopção de soluções como a nuvem governamental (GovCloud), plataformas de interoperabilidade e sistemas integrados de gestão financeira representa um salto qualitativo na eficiência do Estado.
Para uma economia como a angolana, a implementação de um sistema de compras públicas electrónicas é transformadora, promovendo a transparência, combatendo a corrupção e racionalizando a despesa pública. Estas não são meras ferramentas tecnológicas, mas instrumentos de profunda reforma administrativa.
Portanto, o posicionamento de Angola no grupo de Maturidade Significativa do GTMI 2025 é um marco significativo que reflecte um esforço estratégico de modernização do Estado, materializado através de instituições operacionais como o IMA e projectos concretos como o SIMPLIFICA.
Este percurso, partilhado com outras economias africanas de referência, demonstra que, apesar das assimetrias globais, é possível construir uma administração pública digital e eficiente quando existe visão estratégica e investimento nos alicerces institucionais e tecnológicos correctos.



