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Os pagamentos com os passes GiraMais e com dinheiro físico, nos transportes públicos, vão coexistir por tempo indeterminado, anunciou nesta quarta-feira (15) a Empresa Nacional de Bilhética Integrada (ENBI) em comunicado. A alteração, segundo a ENBI, deve-se a razões técnicas resultantes do elevado número de utentes que tem acorrido, nas últimas horas, aos postos de atendimento para o levantamento e carregamento dos passes GiraMais.
O Portal de T.I solicitou esclarecimentos junto da ENBI para perceber por quanto tempo os pagamentos em dinheiro físico e por passes GiraMais coexistirão, ao que a empresa respondeu:
“A coabitação entre os pagamentos em dinheiro físico e o Passe GiraMais será mantida até que a ENBI conclua os ajustes técnicos necessários, garantindo que todos os utentes tenham adquirido ou carregado os seus passes e estejam plenamente adaptados ao sistema. O período de coexistência será ajustado conforme o progresso da implementação e será comunicado oportunamente.”
Conforme o calendário apresentado pela ENBI, a primeira fase da implementação gradual dos pagamentos electrónicos, cujo início foi marcado para o dia 15 de Janeiro, estender-se-á até o próximo dia 31 deste mês, afectando algumas das principais rotas ao longo das províncias abrangidas. Contudo, não se sabe ao certo em que medida este calendário poderá ser afectado com a prorrogação da coexistência entres as duas formas de pagamento.
Sobre esta questão, a ENBI avaçou ao Portal de T.I que admite, para já, que a prorrogação “poderá causar ajustes no calendário inicialmente previsto” para a implementação dos pagamentos electrónicos, mas diz que está comprometida em avançar com a implementação gradual da nova forma de pagamento, “assegurando que a transição ocorra de forma organizada e sem comprometer a acessibilidade e a mobilidade dos utentes”.
Utentes pedem maior praticidade nas opções de gestão do cartão GiraMais
Alguns utentes ouvidos pelo Portal T.I junto do posto da ENBI no bairro Capalanga, em Viana, que ali foram para receber ou emitir os seus passes, mostraram-se satisfeitos com a implementação da nova forma de pagamento. “É bom, já não preciso andar com dinheiro e as moedas me fazem confusão mesmo”, disse o jovem Eufrânio Quintas, de 23 anos, utente dos transportes públicos que ali foi receber o seu passe.
Mas a mudança na forma de pagamento não agrada a todos, pelo que se ouve dos utentes, a satisfação ou insatisfação em relação aos pagamentos electrónicos é condicionada pelo grau de informação sobre os passes GiraMais e a sua funcionalidade, e, em muitos casos, pelo nível de proximidade dos utentes com as soluções tecnológicas de forma geral.
“Prefiro pagara com dinheiro. Deviam deixar as pessoas escolher se querem pagar com dinheiro ou com o cartão. Os cartões custam caro e não deviam obrigar as pessoas”, disse Bento Casimiro, de 41 anos.
Foi comum ouvirmos respostas negativas sobre a nova forma de pagamento por parte dos utilizadores com idade acima dos 40 anos, enquanto dos mais jovens, abaixo desta idade, a avaliação foi geralmente mais positiva. Entretanto, as preocupações com a gestão dos passes surgiram tanto dos mais adultos quanto dos mais jovens.
Uma das preocupações que nos foi apresentada pelo utente que preferiu apenas ser identificado por Erasmo, de 27 anos, está relacionada à facilidade da gestão do cartão de pagamento para consultar o saldo, por exemplo. Actualmente, segundo a ENBI, o saldo e o histórico de pagamentos do cartão GiraMais podem ser verificados em postos de atendimento ou com agentes de mobilidade da ENBI.
Essa condição, segundo o utente, torna menos prática a gestão do cartão de pagamento pelos utentes, pois estes vêem-se obrigados a deslocar-se aos postos da ENBI ou a encontrar um dos seus agente distribuídos ao longo das rotas abrangida pela nova forma de pagamento, para tratar do assunto.
A falta de uma aplicação associada ao cartão GiraMais também condiciona a sua gestão ao nível da segurança, entende a utente Gilda dos Santos, de 25 anos. A utente expressou preocupação com as formas de comunicação existentes para reportar a perda ou extravio do cartão e o seu consequente bloqueio, afirmando que “precisa-se de mais opções”.
De acordo com a ENBI, em caso de perda ou extravio do cartão o utente tem duas formas de solicitar o seu bloqueio, para impedir que seja utilizado por terceiros: comunicar o assunto a um agente de mobilidade ou ligar ao centro de atendimento da ENBI pelo número 923 19 00 20.
Para os utentes ouvidos, as duas formas podem não oferecer a praticidade necessária, visto que os cartões podem ser perdidos ou extraviados em diversas circunstâncias e, a depender de vários factores, o utente poderá não conseguir contactar a ENBI atempadamente por estas vias.
Alguns utentes sugerem por isso que a disponibilização de outras opções, como uma aplicação digital que permita também o bloqueio do cartão, à semelhança do que ocorre com o Multicaixa Express, seria uma solução mais prática.
“Tinha que ser mais fácil, tinha que ter algo tipo o aplicativo (Multicaixa) Express, onde vejo o meu saldo e também bloqueio o meu cartão se quiser. Eu não uso muito o autocarro, por isso posso perder o cartão e só perceber depois de muito tempo, nesse caso se alguém o apanhar pode gastar todo o saldo. Mas, sabendo disso, eu podia bloquear o cartão nos dias em que não uso e voltar activar quando quiser”, disse a utente.
Relactivamente à consulta das transacções, a ENBI assegurou ao Portal de T.I, sem avançar prazos, que está a desenvolver soluções digitais, incluindo uma aplicação, para facilitar o acesso às informações do Passe GiraMais, tornando este processo mais prático.




