Após a China ter anunciado novos controlos à exportação de grafite, material utilizado em baterias de veículos eléctricos, a Coreia do Sul procura agora fontes alternativas na África Oriental para sustentar a sua indústria de veículos eléctricos.
Em um comunicado divulgado na sexta-feira (20), o Ministério do Comércio do país asiático apontou Moçambique e a Tanzânia como potenciais fornecedores para suprir as deficiências resultantes da decisão do governo chinês.
A China informou na sexta-feira que vai designar a grafite como um minério altamente sensível e pô-lo sob controlos de exportação a partir de 1 de Dezembro próximo, para salvaguardar a “segurança e os interesses nacionais”. O gigante asiático é o maior produtor mundial de grafite e o seu anúncio gerou preocupações entre os fabricantes de baterias para veículos eléctricos em todo mundo, principalmente na Coreia do Sul, país que domina as cadeias mundiais de abastecimento deste minério.
O Ministério do Comércio e a Administração Geral das Alfândegas da Coreia do Sul avançam, para já, que vão expandir o diálogo diplomático de alto nível com a China, para garantir importações suaves de grafite. As autoridades sul-coreanas afirmam também que vão antecipar a inauguração de uma fábrica nacional de grafite sintética ao mesmo tempo que reforçarão o desenvolvimento de ânodos de silício como alternativa à grafite.
China acusa EUA de adoptar medidas impróprias
As restrições chinesas à exportação da grafite surgem após os EUA reforçarem na passada terça-feira (17) o controlo da exportação de chips, semicondutores avançados e equipamentos necessários para a sua produção à China. Os EUA justificam a medida como necessária, para eliminar brechas nas regulações impostas no final do ano passado, ao mesmo tempo que reafirmam que continuarão a restringir o acesso às suas tecnologias críticas.
“Continuaremos a trabalhar para proteger a nossa segurança nacional, restringindo o acesso a tecnologias críticas, aplicando vigilantemente as nossas regras, ao mesmo tempo que minimizamos qualquer impacto não intencional nos fluxos comerciais,” afirmou a secretária do Comércio dos EUA, Gina Raimondo, num comunicado.
No entanto, segundo o ministério do Comércio da China, os controlos anunciados pelos EUA são “impróprios” e instou Washington a levantá-los o mais rapidamente possível.
“Os Estados Unidos estão constantemente a alargar o conceito de segurança nacional, a abusar das medidas de controlo das exportações e a recorrer a atos unilaterais de intimidação, com os quais a China está fortemente insatisfeita e aos quais se opõe firmemente”, refere o ministério do Comércio da China em comunicado.




