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O mercado africano de smartphones deverá contrair 26% em 2026, depois de ter registado a primeira queda homóloga em três anos no segundo trimestre, período em que as remessas recuaram 7%, para 17,8 milhões de unidades, segundo a mais recente análise da Omdia (antiga Canalys).
De acordo com o estudo, o recuo está associado sobretudo ao aumento dos preços dos equipamentos e à consequente pressão sobre o poder de compra dos consumidores, com a quebra sendo particularmente acentuada no segmento de smartphones abaixo dos 100 dólares, considerado uma das principais portas de entrada para a conectividade digital no continente.
Segundo o estudo, as remessas nesta faixa de preço diminuíram 34% no segundo trimestre, correspondendo a uma perda de quase 3 milhões de unidades, num contexto marcado pelo aumento dos custos de componentes de memória e por alterações nas cadeias de fornecimento associadas à procura de componentes para sistemas de inteligência artificial.
A pressão sobre os preços também alterou o comportamento do mercado. O preço médio de venda de um smartphone em África aumentou 41 dólares face ao mesmo período de 2025, atingindo 202 dólares no segundo trimestre de 2026.
A evolução representa uma inversão face ao desempenho registado em 2024, quando as remessas de smartphones em África cresceram 9%, passando de 68,7 milhões de unidades em 2023 para 74,7 milhões, segundo dados da Omdia. No segundo trimestre de 2025, o mercado voltou a crescer 7%, com 19,2 milhões de equipamentos enviados para o continente.

Céditos: Omdia
Impacto nos principais mercados africanos
Apesar do recuo, a África do Sul foi a excepção entre os países destacados pela Omdia, com um crescimento de 17% no segundo trimestre, apoiado por um maior poder de compra dos consumidores e pela transição para equipamentos compatíveis com 5G.
Na Nigéria, entretanto, as remessas diminuíram 11%, num contexto em que os preços mais elevados levaram consumidores a adiar a compra de novos equipamentos. Já no Egipto, a queda chegou aos 26%, depois dos fabricantes terem aplicado aumentos significativos de preços a meio do trimestre, na sequência de uma subida de 50% nos custos dos factores de produção locais desde Janeiro, segundo a Divisão de Telemóveis da Federação das Câmaras de Comércio egípcias.
O Quénia, por seu lado, registou uma redução de 15%, sobretudo devido ao aumento dos preços dos equipamentos, com a procura concentrada nos smartphones abaixo dos 150 dólares. A diferença entre os mercados mostra o impacto das condições económicas, dos preços e das políticas locais sobre a evolução da procura por smartphones no continente.

Céditos: Omdia
China mantém domínio entre as principais marcas no continente
A mudança também está a alterar a posição das principais fabricantes. A chinesa Transsion, que reúne marcas como Tecno, Infinix e Itel, continua a liderar o mercado africano, mas viu as suas remessas cair 14% no segundo trimestre de 2026, para 8,3 milhões de unidades, reduzindo a sua participação de 51% para 47%. A forte exposição ao segmento abaixo dos 100 dólares tornou a empresa mais vulnerável à retracção da procura por equipamentos de entrada.
A Samsung, pelo contrário, aumentou as remessas em 15%, para 3,9 milhões de unidades, elevando a participação de 18% para 22%. A fabricante sul-coreana beneficiou da deslocação da procura para faixas de preço superiores e de uma gestão de inventário que lhe permitiu manter reservas de vários meses para modelos como os Galaxy A07 e A17.
A evolução representa uma alteração face ao cenário observado no segundo trimestre de 2025, quando a Transsion detinha 51% do mercado continental, com 9,7 milhões de dispositivos enviados, enquanto a Samsung tinha 3,4 milhões e a Xiaomi ocupava o terceiro lugar, com 2,8 milhões de unidades e 14% de participação, após um crescimento anual de 32%.
A Xiaomi, que detém a POCO, está entre as marcas mais afectadas pela actual retracção, com as suas remessas a caírem 30%, para 1,9 milhões de unidades, reduzindo a participação de 14% para 11%. A OPPO, que detém a Realme e a OnePlus, também registou uma queda de 25%, enquanto a HONOR contrariou a tendência, crescendo 13%, para 900 mil unidades, e aumentando a sua participação de 4% para 5%.

Céditos: Omdia
A subida de preços ocorre depois de um período em que os equipamentos de baixo custo ganharam espaço no continente. No segundo trimestre de 2025, os smartphones abaixo dos 100 dólares tinham crescido 38% em termos homólogos, enquanto os preços médios de venda vinham a diminuir desde 2023. A actual subida dos custos de componentes altera uma das principais dinâmicas que sustentaram a expansão do mercado africano.
A previsão de queda de 26% em 2026 representa, assim, uma mudança significativa para um mercado que vinha de três anos consecutivos de crescimento. Para os fabricantes, a próxima fase deverá depender da capacidade de equilibrar preços, volumes e rentabilidade num continente onde a procura continua fortemente concentrada nos equipamentos de entrada.



